Acadêmicos da Medicina criam ações de saúde coletiva para UBSs administradas pela UCPel

Novas estratégias para a saúde da família começam a ser executadas em Unidades Básicas de Saúde (UBS) administradas ou com a participação da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Graças ao trabalho realizado por 60 acadêmicos do curso de Medicina, dos 5º e 6º anos, ações programáticas voltadas à atenção básica coletiva já estão ocorrendo e são responsáveis por promover mais saúde para as comunidades assistidas pelas UBSs Pestano-CAIC, Nossa Senhora de Fátima, Py Crespo, União de Bairros, Sanga Funda, Arco Íris e Getúlio Vargas. 
Para atender uma das principais diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) – prevenção de agravos e doenças -, cada UBS recebeu cerca de 5 projetos de intervenção, identificados de acordo com o perfil de cada unidade, explica o professor do curso de Medicina, Cayo Lopes. Ao escolher o tema, cada grupo desenvolveu um diagnóstico situacional para só posteriormente elaborar um plano de ação.
Na UBS União de Bairros, por exemplo, os acadêmicos Rafael Eslabão, Camila Martinez, Camila Reche e Luisa de Ávila optaram por desenvolver uma ação programática voltada à saúde da mulher. A primeira parte do trabalho foi realizar uma busca efetiva de mulheres cadastradas na UBS que estavam com os exames de Papanicolau (exame preventivo do câncer do colo do útero) e mamografia atrasados. Posteriormente, com a participação dos agentes de saúde, 1070 mulheres foram cadastradas. 
Na avaliação da acadêmica Camila Rech, a ação foi positiva e auxiliou a Unidade a atingir o valor preconizado pelo Ministério da Saúde. “Pelo dados do Ministério da Saúde teríamos que ter cadastradas 1006 mulheres e conseguimos mais do que esperávamos”, comenta. Do total dessas mulheres, 466 deveriam fazer o exame e apenas 164 estavam com o Papanicolau em dia. “Esses dados são preocupantes e demonstram a realidade de muitas UBSs”, avalia a acadêmica.
Para o acadêmico Rafael, esse tipo de realidade é encontrada devido a inexistência de uma busca ativa por parte dos locais que realizam atendimento. Ele destaca que o desconhecimento dessas mulheres sobre a importância da realização do exame também é outro empecilho. Ligações para convocar as mulheres para realizar o exame foram feitas, mas com pouca adesão. “A baixa adesão mostrou o desconhecimento sobre a necessidade de realização do exame. Por mais que tenhamos explicado a sua importância, não obtivemos o retorno esperado”, pontuou a acadêmica Camila Martinez.
O principal aprendizado dos estudantes foi o de identificar a importância do real conhecimento da população e de seu cadastramento correto para a realização de ações preventivas. A iniciativa de instigar os acadêmicos do Internato em Estratégia de Saúde da Família nasceu da necessidade de oferecer novos cenários para o aprendizado. “Antes dessa iniciativa, as atividades desenvolvidas eram basicamente clínicas. Com a definição dos programas, nossos acadêmicos passaram a ter a oportunidade de trabalhar também com a gestão de uma UBS ou de um programa ou ação programática focada no coletivo”, explica o professor, Tiago Maas. 
Entender como manejar com um coletivo de pessoas, como organizar o cuidado, como trabalhar questões como serviços, consultas, atendimento, planejamento dentro do SUS foram etapas percorridas pelos 60 acadêmicos. Além da saúde da mulher, também tiveram traçados projetos de intervenção os temas qualidade de pré-natal, análise do serviço de depressão, aplicabilidade da ficha espelho, assistência no pré-natal, avaliação de puericultura e uso de sulfato ferroso profilático, avaliação dos diabéticos, qualificação da equipe da estratégia da saúde da família, educação popular e atendimento para a terceira idade.
O projeto da UBS União de Bairros voltado para as mulheres agora que está delimitado deverá ganhar novas ações para atingir as 466 mulheres que deveriam estar com o Papanicolau em dia, adianta a acadêmica Luisa de Ávila. Já que as ligações não resultaram no retorno esperado, os quatro estudantes apostam no envio de cartas convites, inspiradas em um estudo realizado no Reino Unido que obteve grande índice de retorno. 
Já o incentivo para a realização da mamografia vem sendo mais complicado devido o tempo de espera, que pode chegar a até dois anos. “As mulheres até acabam vindo e solicitam o exame, mas devido à demora para realizá-lo elas acabam desistindo”, comenta Rafael. Na UBS União de Bairros, 201 mulheres estão em idade de realizar o exame de mamografia. 
No entendimento do grupo, a experiência de participar de uma ação programática mostrou também a importância e a necessidade de promover a educação médica voltada para o bem-estar e prevenção de doenças. “O médico tem um papel fundamental como educador de saúde da população porque leva a informação para a comunidade” justifica Camila Martinez. De acordo com o professor Maas, a nova experiência deu tão certo de deverá ser ampliada para outras especialidades. “Temos a intenção de criar ações voltadas para o acompanhamento de crianças entre 1 a 5 anos de idade, sobre tabagismo e saúde mental. Esses primeiros trabalhos focaram nas demandas mais urgentes”, informa. 
Redação: Rita Wicth – MTB 14101

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