Programa de Doação de Corpos da UCPel é ampliado


918  15 de abril de 2019

Criado através da constante busca pela qualificação do ensino prático na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), o Programa de Doação de Corpos para o Ensino e Pesquisa em Anatomia foi ampliado. A partir de agora, a campanha possui duas modalidades: autodoação e doação por familiar. Os projetos visam sensibilizar a comunidade sobre o gesto e normatizar a doação dentro da instituição. 
Ambos os programas são formalizados e estão de acordo com a lei nacional de autodoação de corpos, conforme explica a supervisora da Central de Laboratórios da UCPel, Rosimere Corrêa de Souza. Para a autodoação, o interessado, em vida, demonstra intenção através da entrega de documentação, registrada em cartório com testemunha, e consenso dos familiares.
A doação por familiar ocorre quando a pessoa manifestou vontade de doação em vida, porém, não conseguiu organizar a documentação. Desse modo, a família pode realizar o processo. “Nas duas modalidades, todos os familiares devem estar de acordo. A documentação é registrada em cartório e nós fazemos uma carteira para o doador”, destaca Rosimere.
Apesar de toda tecnologia existente, os cadáveres ainda são o material mais fidedigno para o estudo da anatomia, segundo a coordenadora do curso de Medicina, professora Regina Bosembecker. Atualmente, o Laboratório de Morfologia da UCPel dispõe de número reduzido de corpos e, por isso, busca doações. “É um gesto de altruísmo, o doador continua auxiliando em ciência, estudo e formação de profissionais”, acredita.
Desde 2018, a UCPel ampliou as vagas do curso de Medicina, aumentando assim, o número de alunos na área da saúde que passam pelo laboratório. Da mesma forma, a Universidade investe em tecnologia, como simuladores, maquetes anatômicas e Mesa Sectra – dispositivo para estudo da anatomia em 3D. “Mesmo assim nada substitui o contato direto com o corpo humano”, diz Rosimere.
Conservação e doadores
Recentemente, a Católica também investiu em novas técnicas de conservação dos cadáveres. Até porque, o formol, por ser um reagente químico, causa malefícios para a saúde e para o meio ambiente. De acordo com a supervisora, a partir de agora, os corpos serão glicerinados – substância biodegradável e não tóxica ao ser manipulada.
Outros benefícios da nova metodologia de conservação são um melhor aspecto do cadáver, com coloração real e maleabilidade do corpo e órgãos. “Além da questão ambiental, isso facilita muito o aprendizado dos alunos”, garante Rosimere. E, para aderir ao método, um laboratório foi adaptado, equipamentos comprados e equipe treinada.
Após recebimento da doação, o cadáver passa pelo tratamento necessário à conservação. A técnica possibilita longa duração, com utilidade por cerca de 20 anos em estudo. Ao fim desse período, o corpo recebe destino justo, como enterro. “Tem todo um cuidado, um respeito, tanto pelo professor quanto pelos acadêmicos, pela disponibilidade que aquela pessoa teve pela doação”, afirma Regina.
Nos últimos anos, o perfil dos doadores mudou. Antigamente, a maioria dos cadáveres era de indigentes ou de pessoas sem família. Segundo Rosimere, as intenções cadastradas no programa da UCPel são de doadores com nível universitário, média de 60 anos e com ligação com a área da saúde. “São pessoas esclarecidas. Já recebemos, inclusive, a doação de uma família inteira: pai, mãe e filhos”, conclui.
Interessados em conhecer mais do Programa de Doação de Corpos da UCPel devem procurar a Central de Laboratórios, localizada na rua Gonçalves Chaves, 373, sala 303C. Para manifestar o desejo de autodoação, todos os familiares devem estar de acordo, preencher a documentação disponível no laboratório, registrar em cartório e apresentar duas testemunhas.
Redação: Piero Vicenzi

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