Em publicação científica, professor da UCPel analisa os impactos da pandemia na educação médica

Em tempos de pandemia, uma das regras é adaptar-se. Assim como em muitos setores do ensino, a formação dos futuros médicos no Brasil também precisou se remodelar para seguir com suas atividades. Algumas das principais questões sobre o tema integram o artigo “As Escolas Médicas e os desafios da formação médica diante da epidemia brasileira da Covid-19: das (in)certezas acadêmicas ao compromisso social“, publicado na Revista de Atenção Primária à Saúde, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O professor da UCPel e vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), Sandro Schreiber de Oliveira, que assina o artigo junto do mestre em Política Social e Direitos Humanos, Eduardo Arquimino Postal, e da professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Denise Herdy Afonso, explica que sua motivação partiu das recentes determinações do Ministério da Educação (MEC), especialmente a respeito do ensino da Medicina e demais profissões da saúde.

“Fala-se muito da incidência do vírus, da quarentena e das mortes, mas pouco se abordou sobre impactos menos visíveis para a sociedade como um todo – e a educação está tendo e ainda vai ter muitos impactos”, comenta. No texto que integra uma edição especial da revista, dedicada exclusivamente à temática da pandemia do novo coronavírus, os autores discutem a repercussão de tais medidas nas Escolas Médicas, tanto na vida dos estudantes quanto dos docentes.

Enquanto professor adjunto do Núcleo de Saúde Coletiva da UCPel, Oliveira explica que a instituição optou em manter, através de aulas mediadas por tecnologia, as atividades teóricas do primeiro ao quarto ano do curso de Medicina. Os estágios dos últimos dois anos, chamados de internatos, passaram por diferentes momentos, desde a interrupção parcial e total até a sua recente retomada.

O lado positivo destas transformações, em sua opinião, é o permanente olhar e repensar para as ações educativas, podendo ressignificá-las. “O uso de tecnologias me parece que, se usado adequadamente, é um ganho. Pode ser discutir de uma maneira mais consistente, não só para esse momento de epidemia, mas para outros também”, avalia.

O artigo defende, entretanto, que a formação dos futuros médicos, principalmente a prática oferecida pelos estágios em hospitais e Unidades Básicas de Saúde, que corresponde a cerca de 35% da carga horária, não pode ser substituída por atividades remotas. A tecnologia está sendo utilizada, neste período, a fim de oferecer continuidade para algumas ações pedagógicas dos cursos de Medicina.

 

Redação: Max Cirne

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